A angioplastia de carótidas é um procedimento minimamente invasivo que trata o estreitamento das artérias carótidas, responsáveis por levar sangue ao cérebro. Com a dilatação do vaso e, geralmente, a implantação de um stent, uma pequena estrutura metálica em formato de malha tubular que ajuda a manter a artéria aberta, o tratamento busca restabelecer o fluxo sanguíneo e reduzir o risco de AVC em pacientes com indicação para o procedimento.
A estenose carotídea pode evoluir sem apresentar sintomas. Em alguns casos, sua descoberta acontece após manifestações como fraqueza súbita, perda de sensibilidade ou dificuldade para falar, que podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC) ou um ataque isquêmico transitório (AIT).
Conhecer as características dessa condição e as possibilidades de tratamento ajuda a compreender a importância do diagnóstico e do acompanhamento especializado.
O que é e para que serve a angioplastia de carótidas
As artérias carótidas ficam dos dois lados do pescoço e são responsáveis por levar sangue rico em oxigênio ao cérebro. A aterosclerose é uma doença caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura e outras substâncias nas paredes das artérias. Quando esse processo afeta as carótidas, pode provocar a estenose carotídea, ou seja, o estreitamento desses vasos.
Esse quadro merece atenção porque, além de reduzir o fluxo sanguíneo para o cérebro, fragmentos das placas podem se desprender e obstruir vasos cerebrais menores, provocando um AVC isquêmico.
Estima-se que a estenose carotídea esteja por associada a cerca de 10% a 15% dos eventos cerebrovasculares, o que a torna uma das principais causas tratáveis de AVC isquêmico.
A angioplastia é um procedimento que utiliza um pequeno balão para dilatar a região estreita da artéria. Na maioria dos casos, também é realizado o implante de um stent, uma pequena estrutura metálica em formato de malha tubular que ajuda a manter o vaso aberto e permite a passagem adequada do sangue.
Para quem e quando a angioplastia de carótidas é indicada
A indicação da angioplastia de carótidas depende de uma avaliação individualizada, que considera principalmente o grau de estreitamento da artéria, a presença de sintomas e as condições clínicas do paciente.
Pessoas que já tiveram um AVC isquêmico ou um ataque isquêmico transitório (AIT), especialmente quando apresentam estenose carotídea importante, podem ter indicação de intervenção para reduzir o risco de novos eventos. Em alguns casos, o tratamento também pode ser considerado diante de estreitamentos menos acentuados, conforme as características clínicas e os resultados dos exames.
Para pacientes sem sintomas, o tratamento clínico, com medicamentos e controle dos fatores de risco cardiovascular, costuma ter papel central. A possibilidade de intervenção é avaliada em situações selecionadas, após análise dos riscos e benefícios.
A angioplastia com implante de stent também é uma alternativa à endarterectomia carotídea, cirurgia convencional que remove a placa de aterosclerose por meio de uma incisão no pescoço.
Embora ambas sejam opções de revascularização, a angioplastia não é necessariamente a primeira escolha para todos os pacientes. Em muitos casos, a endarterectomia é considerada a abordagem preferencial, enquanto o tratamento endovascular pode ser indicado em situações específicas, especialmente quando existem condições clínicas ou anatômicas que tornam a cirurgia convencional menos favorável.
Entre essas situações, estão:
- Doenças cardíacas ou pulmonares que elevam o risco cirúrgico;
- Histórico de radioterapia ou cirurgia na região do pescoço;
- Reestreitamento da artéria após uma endarterectomia;
- Localização da lesão que dificulta o acesso cirúrgico.
A escolha entre angioplastia e endarterectomia depende das características de cada paciente. Idade, sintomas, anatomia vascular e condições clínicas precisam ser considerados na análise dos benefícios e riscos de cada abordagem.
Antes da definição do tratamento, é necessário avaliar a circulação carotídea por meio de exames de imagem. O Eco Doppler vascular das carótidas costuma ser utilizado na investigação inicial. A angiotomografia e a angiorressonância também podem ser solicitadas para complementar a avaliação e detalhar as características da obstrução.
Como é realizada a angioplastia de carótidas
A angioplastia de carótidas é realizada em ambiente hospitalar, com acompanhamento por exames de imagem durante todo o procedimento. A anestesia e a sedação são definidas conforme as características do paciente e a técnica utilizada.
De forma geral, o procedimento envolve as seguintes etapas:
- Acesso vascular: o cirurgião vascular realiza uma punção na artéria femoral, localizada na região da virilha, ou na artéria radial, no punho, para introduzir um cateter fino e flexível, conduzido até a carótida com auxílio de imagens de raios X.
- Proteção cerebral: um dispositivo de proteção pode ser posicionado para reduzir o risco de fragmentos da placa atingirem a circulação cerebral.
- Dilatação da artéria: um pequeno balão é utilizado para dilatar a região estreitada do vaso.
- Implante do stent: uma pequena estrutura metálica em formato de malha é posicionada para ajudar a manter a artéria aberta.
- Finalização: os dispositivos utilizados são retirados e o local da punção recebe os cuidados necessários para evitar sangramentos.
Ao final, o paciente permanece em observação para acompanhamento da pressão arterial, da circulação e de possíveis alterações neurológicas. O tempo de internação varia conforme a evolução clínica, mas muitos pacientes recebem alta no dia seguinte.
Como é a recuperação após a angioplastia de carótidas?
Após o procedimento, o paciente permanece sob observação médica para monitoramento da pressão arterial e da função neurológica. Esse acompanhamento é importante para identificar precocemente possíveis complicações.
A recuperação costuma envolver cuidados com o local da punção e retorno gradual às atividades habituais, conforme orientação da equipe responsável.
O uso de medicamentos também faz parte do acompanhamento. Antiagregantes plaquetários, que ajudam a reduzir a formação de coágulos, costumam ser prescritos após a implantação do stent. Medicamentos para controle do colesterol e da pressão arterial também podem fazer parte do tratamento, conforme a necessidade de cada paciente.
As consultas de retorno e os exames de imagem são importantes para acompanhar a circulação e verificar a evolução após o procedimento.
Como qualquer intervenção vascular, a angioplastia de carótidas apresenta riscos, entre eles AVC, sangramento ou hematoma no local da punção e reestenose, que é o novo estreitamento da artéria. A equipe médica deve esclarecer os possíveis riscos e benefícios antes da realização do procedimento.
Angioplastia de carótidas na Angioclínica
O tratamento das doenças carotídeas exige conhecimento técnico, avaliação criteriosa e acompanhamento especializado. A escolha da abordagem considera as características da obstrução e as condições clínicas de cada paciente.
Na Angioclínica, você conta com uma equipe de angiologia e cirurgia vascular, estrutura para investigação diagnóstica e recursos para avaliação e tratamento de diferentes condições vasculares.
Se você apresenta fatores de risco cardiovascular ou recebeu um diagnóstico de estenose carotídea, procure avaliação especializada para conhecer as possibilidades de acompanhamento e tratamento.





