Tratamento de Varizes com Espuma Densa
A utilização de espuma densa não é novidade entre os cirurgiões vasculares sendo mais uma dentre as técnicas disponíveis para o tratamento de varizes. Conhecida há muitos anos por médicos especialistas, permite tratar desde microvarizes até varizes de maior calibre, sem a necessidade de repouso ou internação hospitalar, razão pela qual, tem um grande apelo em pacientes que não desejam, ou não podem, passar por procedimentos mais invasivos, como cirurgias.
Como toda técnica, existem vantagens e desvantagens. Se a possibilidade de tratar varizes de maior calibre em consultório é cativante, deve-se levar em consideração que a sua aplicação não é isenta de riscos e depende bastante do tipo de doença venosa existente e do grau de expectativa de cada paciente.
Quando utilizada em veias safenas, por exemplo, possui uma taxa de recanalização mais alta quando comparada com a cirurgia convencional, radiofrequência e o endolaser. Para varizes mais calibrosas exige-se a utilização de ultrassom (injeção guiada) e necessidade de se respeitar as limitações de volume aplicado da substância. Na dependência do tipo de varizes a ser tratada, fototipo de pele, concentração da espuma, existe risco mais elevado de pigmentação cutânea (manchas), o que pode ser limitante para pacientes com maior grau de exigência estética. Normalmente são necessárias algumas sessões e é frequente o paciente precisar retornar para drenar o esclerus (microcoágulos residuais). Algumas vezes a espuma densa pode ser aplicada no interior da veia safena associada a dispositivos comerciais disponíveis que geram dano ao endotélio da veia, com a premissa de melhorar os resultados de médio/longo prazo. As operadoras de saúde não cobrem esta alternativa terapêutica e o custo varia bastante de acordo com a complexidade da doença venosa a ser tratada.
A espuma densa também cativa bastante o público no ambiente digital, pois estão disponíveis centenas de vídeos, onde o médico mostra em tempo real a injeção causando um efeito que parece espetacular aos mais desavisados. Nestes casos, a espuma desloca a coluna líquida de sangue (parecendo que o vaso desaparece no mesmo instante) e promove um vasoespasmo temporário, prolongando este ainda mais este efeito. Parece mágica. Mas é um efeito mecânico e temporário. O verdadeiro mecanismo de ação é químico, e decorre da lesão que a espuma faz no endotélio da veia, que assim como outros esclerosantes, leva tempo para se completar e ter seu resultado final observado. No mundo do tratamento das varizes existem muitas opções para o mesmo contexto clínico, e isso é decorrente da experiência do profissional, do estágio da doença venosa, de comorbidades associadas, da tecnologia disponível e do grau de exigência estético que o paciente deseja. Por isso a necessidade de se escolher um profissional habilitado e ter uma relação de confiança, lembrando que nenhuma técnica é isenta de riscos. Um médico especialista é capaz de tratar a doença e também, lidar com eventuais complicações decorrentes do tratamento.