Aneurismas de Aorta
O aneurisma arterial pode ser definido de uma forma simples, como uma dilatação da artéria que ultrapasse 50% do diâmetro esperado (teoricamente, qualquer artéria do corpo humano pode sofrer dilatação). Os aneurismas são muitas vezes silenciosos pois geralmente possuem crescimento lento e costumeiramente não provocam sintomas até estarem muito volumosos.
A aorta abdominal é a maior artéria do corpo humano e possui um longo trajeto passando pela cavidade torácica e abdominal, emitindo importantes ramos que irrigam o cérebro e outros órgãos vitais. Um caso icônico de morte atribuída a um aneurisma de aorta abdominal que rompeu, foi o do físico Albert Einstein em 1955.
Na fase inicial de dilatação, o aneurisma da aorta não costuma provocar sintomas, o que acaba retardando o diagnóstico e tratamento.
Entre os sintomas, dor abdominal eventualmente irradiada para as costas pode levar a suspeita, mas diversas outras doenças podem mimetizar o quadro. Um exame físico direcionado pode eventualmente identificar uma massa pulsátil no abdômen, mas normalmente o diagnóstico acaba sendo realizado por algum tipo de exame de imagem solicitado por outro motivo (por exemplo, um ultrassom de abdômen ou tomografia de tórax).
Fatores de risco:
- Idade (mais comuns em pacientes acima de 60 anos).
- Sexo (homens sao mais suscetíveis)
- Tabagismo (o cigarro é uma das principais causas pois enfraquece a parede da artéria)
- Hipertensão arterial sistêmica (associada com a etiologia e também no risco de ruptura)
- Aterosclerose/distúrbios do colesterol
- Histórico familiar/fatores genéticos (principalmente em familiares de primeiro grau)
Reconhecer os fatores de risco (existem outros além dos que foram listados) e fazer busca ativa nos pacientes mais suscetíveis, principalmente em homens tabagistas com idade acima de 65 anos, pode ampliar o diagnóstico precoce e com isso reduzir a chance de ruptura. A ruptura do aneurisma de aorta costuma ser fatal (alguns estudos estimam que 80% morre imediatamente e daqueles que conseguem chegar ao hospital, 50% a 70% não sobrevivem). Normalmente o tratamento definitivo é cogitado para pacientes com aneurismas superiores a 50mm para a aorta abdominal e 60mm para aorta torácica descendente.
Existem duas alternativas para o tratamento: Cirurgia convencional ou endovascular. A quase totalidade dos aneurismas da aorta podem hoje ser tratados de forma menos invasiva com interposição de endopróteses. Embora menos invasivo e com alta taxa de sucesso, o paciente deverá manter acompanhamento pelo resto da vida, pois os dispositivos utilizados para o tratamento merecem vigilância contínua.
Importante salientar a necessidade do tratamento ser realizado em centros dedicados de alta complexidade e com equipe experiente (cirurgiões vasculares que se dedicam ao tratamento de doenças arteriais, normalmente estão inseridos em equipes capacitadas e trabalham em hospitais com o adequado suporte). Saber transitar entre a cirurgia convencional/aberta e a endovascular também é essencial para não limitar as possibilidades terapêuticas e oferecer sempre a melhor alternativa para cada paciente.