Pseudoaneurisma Femoral
Um pseudoaneurisma femoral, particularmente aqueles relacionados ao sítio de punção arterial (como, por exemplo, em punções na artéria femoral para realização de angioplastia coronariana), decorre de um hematoma organizado ao redor do orifício da agulha/introdutor. Esta falta de continuidade na parede vascular da artéria leva ao extravasamento de sangue, que é contido por estruturas vizinhas. Podem ocasionar dor , compressão neuro-vascular, tromboembolismo, infecção, ruptura, perda do membro e em casos extremos, até mesmo o óbito.
Múltiplos fatores estão associados em sua gênese; múltiplas punções, punções difíceis secundárias a anatomia desfavorável (pacientes obesos, placas calcificadas, fibroses), calibre dos introdutores (são maiores nos procedimentos terapêuticos). O uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários além de pressão arterial de difícil controle também contribuem. Dificuldades de compressão e/ou compressão local insuficiente também são reconhecidos e importantes fatores para o aparecimento desta complicação. A incidência varia na literatura, sendo baixa nos procedimentos diagnósticos (2%), chegando a 7% nos procedimentos terapêuticos.
Com o aumento do número de procedimentos endovasculares, o número deste tipo de complicação aumenta.
O diagnóstico geralmente é suspeitado pela presença de um hematoma pulsátil no local onde houve a punção da artéria. Exames como o eco Doppler, tomografia, ressonância ou angiografia podem ser necessários (geralmente o eco Doppler é suficiente).
O tratamento pode ser expectante (apenas observação) para pseudoaneurismas pequenos. A compressão com curativos, guiada por ultrassonografia com uso de dispositivos especiais pode levar a resolução do quadro de maneira menos invasiva. Eventualmente a cirurgia pode ser necessária para o adequado controle do sangramento (reservada normalmente para quadros onde existe dor intensa, volumoso hematoma que comprime estruturas nobres ou comprometem a viabilidade da pele).
Um método pouco invasivo, rápido e elegante de resolução desta patologia é a injeção guiada por ultrassom, de trombina reconstituída.A conversão do fibrinogênio em fibrina é imediata, com a trombose quase instantânea do pseudoaneurisma. O hematoma residual é absorvido com o tempo e a resolução possui índices superiores a 90% de sucesso.