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Doença arterial periférica: o que todo paciente precisa saber

Doenças Arteriais

A doença arterial periférica (DAP) é uma condição vascular séria — e mais comum do que se imagina. Ela ocorre quando as artérias responsáveis por levar sangue para as pernas (e, em alguns casos, para os braços) se tornam estreitadas ou obstruídas, geralmente devido ao acúmulo de placas de gordura nas paredes dos vasos, processo conhecido como aterosclerose.

O problema vai além do desconforto nas pernas. De acordo com dados do Projeto Corações do Brasil, um estudo com 1.170 indivíduos (>18 anos), em 72 centros urbanos, revelou a prevalência da DAP em 10,5%, e apenas 9% dos portadores apresentam o sintoma clássico da doença, a claudicação intermitente.

Na prática, isso significa que a maioria das pessoas com doença arterial periférica não sabe que tem a condição — e, por isso, não recebe o acompanhamento adequado. Continue a leitura para entender mais sobre a DAP.

O que é a doença arterial periférica e por que ela acontece

A doença arterial periférica afeta principalmente as artérias das pernas. Quando esses vasos se estreitam, o fluxo de sangue diminui e, com isso, músculos e tecidos deixam de receber oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente, especialmente durante esforços físicos.

A causa mais comum é a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo progressivo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias. Ao longo do tempo, esse processo reduz o calibre dos vasos e compromete a circulação. Em estágios mais avançados, pode levar à obstrução completa.

Além disso, outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como processos inflamatórios crônicos e alterações estruturais nas artérias. Na prática, a DAP raramente tem uma causa isolada, sendo resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo dos anos.

Fatores de risco

Alguns grupos apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da DAP. Conhecer esses fatores é essencial para a prevenção e para o diagnóstico precoce.

Tabagismo

O cigarro é um dos principais vilões da saúde vascular. As substâncias presentes na fumaça danificam o revestimento interno das artérias e aceleram o processo de aterosclerose. Fumantes apresentam risco significativamente maior de desenvolver DAP em comparação a não fumantes.

Diabetes

O excesso de glicose no sangue provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos, favorecendo o desenvolvimento da doença. Por isso, pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver DAP.

Um estudo com 143 voluntários identificou que 14,6% dos pacientes com diabetes tipo 2 apresentavam doença arterial periférica, sendo que 75% dos casos eram assintomáticos.

Hipertensão e colesterol alto

A pressão alta força as paredes das artérias além do limite, provocando microlesões que facilitam o acúmulo de placas. Já o colesterol elevado – especialmente o LDL, conhecido como colesterol ruim – é a principal substância que se deposita nas paredes das artérias e forma essas placas. Quando esses dois fatores estão associados, o risco de desenvolvimento da DAP aumenta de forma significativa.

Idade e sedentarismo

A doença arterial periférica apresenta maior prevalência com o avanço da idade, especialmente a partir dos 55 anos, podendo atingir entre 10% e 25% dessa população. O sedentarismo contribui diretamente para esse cenário, pois reduz a eficiência do sistema cardiovascular e favorece o ganho de peso, outro fator de risco importante.

Quais são os sintomas

O sintoma mais característico é a claudicação intermitente: uma dor ou cansaço nas pernas que aparece durante a caminhada ou o esforço físico e melhora com o repouso. Isso acontece porque, durante o esforço, os músculos demandam mais sangue, e as artérias estreitadas não conseguem suprir essa necessidade.

Outros sinais que merecem atenção incluem:

  • Dor nas pernas em repouso, especialmente à noite, podendo indicar progressão da doença;
  • Pele fria ou pálida nos pés e nas pernas;
  • Feridas ou úlceras que demoram para cicatrizar, principalmente nos pés e tornozelos;
  • Redução de pelos nas pernas e alterações nas unhas dos pés;
  • Sensação de peso, fraqueza ou fadiga nos membros inferiores.

Vale destacar que muitos pacientes não apresentam sintomas nas fases iniciais. Por isso, a doença pode evoluir de forma silenciosa por anos antes de ser identificada.

Quando a situação se agrava: isquemia crítica

Nos estágios mais avançados, a redução do fluxo sanguíneo pode ser tão intensa que os tecidos passam a sofrer danos permanentes. Essa condição é chamada de isquemia crítica dos membros e representa uma fase grave da doença.

Nesses casos, podem surgir úlceras profundas, dor intensa mesmo em repouso e, em situações extremas, pode haver risco de amputação. Trata-se de uma complicação séria, mas que, na maioria das vezes, pode ser evitada com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos disponíveis

O diagnóstico da doença arterial periférica começa com a avaliação clínica realizada por um médico angiologista ou cirurgião vascular. Durante a consulta, o especialista investiga o histórico do paciente, os fatores de risco e os sintomas apresentados.

Um dos exames mais utilizados é o Índice Tornozelo-Braquial (ITB). Trata-se de um teste simples e não invasivo que compara a pressão arterial no tornozelo com a pressão no braço. Valores abaixo de 0,9 sugerem redução do fluxo sanguíneo nas artérias das pernas.

Para uma avaliação mais detalhada, exames como o eco Doppler vascular e a angiotomografia podem ser solicitados, permitindo identificar a localização e a extensão das obstruções.

Tratamento clínico

A primeira linha de tratamento envolve mudanças no estilo de vida. Parar de fumar é a medida mais impactante, mas medidas como controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, fazem diferença real na evolução da doença.

A atividade física com liberação médica – especialmente caminhadas regulares – também é indicada para estimular a circulação e melhorar a tolerância ao esforço. Medicamentos antiagregantes plaquetários e estatinas costumam fazer parte do tratamento para reduzir o risco cardiovascular.

Tratamento cirúrgico

Quando o tratamento clínico não é suficiente, o médico pode indicar procedimentos mais específicos. As opções minimamente invasivas, como a angioplastia com stent, permitem desobstruir as artérias sem grandes cirurgias, com recuperação mais rápida.

Porém, em casos mais complexos, pode ser necessária uma cirurgia de revascularização, que cria um desvio para o sangue contornar o trecho obstruído. A escolha do tratamento depende da localização e da gravidade da obstrução, das condições clínicas do paciente e da avaliação do especialista.

Por que buscar um especialista faz toda a diferença

A doença arterial periférica é uma condição progressiva. Quanto mais cedo for identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução e preservar a qualidade de vida.

O acompanhamento com um angiologista ou cirurgião vascular é essencial para um diagnóstico preciso, definição do tratamento adequado e monitoramento contínuo da doença.

Se houver sinais como dor nas pernas ao caminhar, feridas que demoram a cicatrizar ou outros sintomas vasculares, a avaliação especializada não deve ser adiada. O diagnóstico precoce pode evitar complicações graves e, em alguns casos, preservar não apenas o membro, mas a própria vida.

Na Angioclínica, o paciente conta com uma equipe especializada em angiologia e cirurgia vascular, aliando experiência clínica, tecnologia avançada e atendimento individualizado.

O cuidado é baseado em evidências, com foco na segurança, na eficácia do tratamento e na experiência do paciente em todas as etapas. Conte com a nossa equipe!

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