A úlcera venosa é um tipo de ferida crônica que pode causar grande desconforto, dor e até limitação para caminhar, afetando de forma significativa a qualidade de vida do paciente. Também chamada de úlcera varicosa, surge principalmente nas pernas e está associada à insuficiência venosa – condição em que o sangue encontra dificuldade para retornar ao coração.
Além de dolorosa, é uma lesão que costuma demorar a cicatrizar e pode se agravar quando não recebe o tratamento adequado. Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é a úlcera venosa, por que ela acontece, como preveni-la e quais são as opções de tratamento mais indicadas. Continue a leitura!
O que é úlcera venosa?
A úlcera venosa, ou úlcera varicosa, é uma ferida aberta que surge com mais frequência na região do tornozelo. Ela ocorre como consequência da insuficiência venosa crônica, que provoca o acúmulo de sangue nas pernas, aumento da pressão nas veias e, com o tempo, danos à pele.
Quando a circulação venosa está comprometida, a pele passa a receber menos oxigênio e nutrientes. Assim, mesmo pequenos traumas podem evoluir para feridas dolorosas, inflamadas e de difícil cicatrização. À medida que a condição progride, a lesão pode se tornar mais profunda, apresentar bordas bem definidas e liberar um líquido amarelado.
A pele ao redor da ferida costuma ficar escurecida, espessa e endurecida – sinais típicos da estase venosa. Entre as características mais comuns da úlcera venosa estão:
- Dor de intensidade variável;
- Inchaço nas pernas;
- Descamação da pele;
- Escurecimento da região;
- Presença de varizes e vasinhos;
- Coceira intensa;
- Sensação de peso nas pernas.
Essas alterações indicam que a circulação venosa não está funcionando adequadamente, o que explica a dificuldade de cicatrização.
O que provoca a úlcera venosa?
A úlcera venosa ocorre principalmente por alterações na circulação das veias das pernas. Os grupos mais afetados são pessoas idosas e pacientes que já tiveram trombose venosa profunda (TVP). Isso acontece porque a trombose pode danificar as válvulas das veias, dificultando o retorno do sangue ao coração e aumentando o risco de formação de feridas.
De forma geral, a úlcera venosa está relacionada a dois mecanismos principais:
- Refluxo venoso: quando as válvulas das veias deixam de funcionar, o sangue volta no sentido contrário e se acumula nas pernas.
- Obstrução venosa: quando há dificuldade mecânica para o sangue retornar, como em casos de histórico de TVP.
Em ambos os cenários ocorre a chamada hipertensão venosa, caracterizada pelo aumento da pressão dentro das veias. Esse processo enfraquece a pele, compromete sua oxigenação e faz com que pequenos traumas, como um arranhão ou batida leve, sejam suficientes para o surgimento de feridas. Por isso, muitos pacientes relatam que a úlcera apareceu “do nada”.
Como prevenir a úlcera venosa?
A prevenção da úlcera venosa está diretamente ligada ao controle da insuficiência venosa e aos cuidados diários com a circulação das pernas. Mudanças simples no estilo de vida fazem diferença significativa na redução do risco.
Movimente-se com regularidade
A prática de atividade física regular, mesmo que sejam caminhadas leves, é uma das formas mais eficazes de prevenir a úlcera venosa. O movimento ativa a musculatura da panturrilha, conhecida como o “coração periférico”, responsável por ajudar o sangue a retornar das pernas para o coração.
Além disso, evitar longos períodos na mesma posição, seja em pé ou sentado, reduz a estagnação do sangue nas veias e diminui a sobrecarga da circulação venosa.
Adote hábitos saudáveis
Manter hábitos saudáveis contribui para preservar a elasticidade dos vasos sanguíneos e melhorar a circulação. O controle do peso corporal, por exemplo, reduz a pressão sobre as veias das pernas. Da mesma forma, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool ajuda a prevenir inflamações e danos vasculares.
Uma alimentação equilibrada, com redução de frituras, alimentos ultraprocessados e ricos em sódio, aliada a uma boa hidratação ao longo do dia, também favorece o funcionamento adequado da circulação.
Cuide da saúde dos pés e das pernas
Os cuidados locais são fundamentais para prevenir o surgimento de feridas. Usar calçados confortáveis, que não apertem os pés, e manter uma boa higiene ajudam a evitar pequenos traumas e infecções.
Além disso, o controle de condições como colesterol elevado e diabetes é essencial, já que essas doenças podem agravar problemas circulatórios e dificultar a cicatrização. Sempre que possível, é importante interromper longos períodos sentado ou em pé com pequenas pausas para se movimentar.
Diagnóstico da úlcera venosa
O diagnóstico da úlcera venosa começa com uma avaliação clínica detalhada da ferida. O cirurgião vascular observa sua localização, profundidade, formato das bordas, presença de secreção, sinais de inflamação e as características da pele ao redor da lesão. Também são considerados o histórico do paciente e sinais associados, como inchaço nas pernas, presença de varizes e dificuldade de cicatrização.
Para confirmar a causa e identificar se há refluxo ou obstrução no sistema venoso, o exame padrão é o doppler vascular venoso colorido. Ele permite visualizar as veias superficiais e profundas, identificar insuficiências e orientar o melhor tratamento.
Em situações específicas, o cirurgião vascular pode solicitar exames complementares para investigação mais detalhada, como tomografia computadorizada, flebografia ou ultrassonografia intravascular, especialmente quando há suspeita de obstruções mais complexas.
Úlcera venosa tem cura? Como é o tratamento?
Sim, a úlcera venosa tem cura. No entanto, o tempo de cicatrização pode variar de semanas a meses, dependendo da gravidade da lesão, do comprometimento da circulação venosa e da presença de fatores associados, como diabetes ou infecções locais.
O principal objetivo do tratamento é promover o fechamento da ferida e evitar que ela volte a aparecer. Para isso, é fundamental tratar não apenas a úlcera em si, mas também a causa do problema: a insuficiência venosa.
O tratamento costuma incluir curativos específicos para úlcera venosa, escolhidos de acordo com o tipo e o estágio da ferida, além do uso de medicamentos que auxiliam o retorno venoso, reduzem a inflamação e favorecem a cicatrização.
A terapia compressiva é uma das estratégias mais importantes nesse processo. O uso de meias de compressão ajuda a reduzir o refluxo venoso, diminuir o inchaço e evitar o acúmulo de sangue nas pernas, sendo fundamental tanto para a cicatrização quanto para a prevenção de recidivas.
Em alguns casos, pode ser indicada a Bota de Unna, um tipo de curativo compressivo composto por óxido de zinco, glicerina e gelatina. Trata-se de uma opção eficaz e de baixo custo, geralmente trocada uma ou duas vezes por semana, conforme orientação médica.
Quando há varizes associadas, procedimentos como espuma esclerosante, laser endovascular ou radiofrequência podem ser indicados para corrigir o refluxo venoso. Já em situações mais graves, pode ser necessária cirurgia para desbridamento da ferida ou correção cirúrgica das veias comprometidas.
Cuide da sua circulação e úlcera venosa com a Angioclínica
A úlcera venosa é uma condição que exige acompanhamento especializado e tratamento adequado. Quanto mais cedo o paciente procura um cirurgião vascular, maiores são as chances de cicatrização eficiente e de prevenção de complicações.
Na Angioclínica, você conta com uma equipe experiente, estrutura completa e suporte desde o diagnóstico com Doppler até os tratamentos mais modernos para insuficiência venosa. Cada paciente recebe um plano terapêutico individualizado, considerando suas necessidades clínicas e estilo de vida.
Se você convive com dor, inchaço, manchas na pele ou feridas que não cicatrizam, agende sua consulta. Cuidar da circulação é essencial para evitar a recorrência da úlcera venosa e garantir pernas mais saudáveis, mobilidade e qualidade de vida. Conte conosco!





