O pseudoaneurisma, também chamado de aneurisma falso, é uma condição vascular que ocorre quando há uma lesão na parede de um vaso sanguíneo, permitindo o extravasamento de sangue e a formação de uma bolsa que permanece em comunicação com a circulação.
Diferentemente de um aneurisma verdadeiro, essa bolsa não é formada pelas camadas da parede arterial, sendo contida pelos tecidos adjacentes.
Embora possa surgir em diferentes regiões do corpo, o pseudoaneurisma ocorre com maior frequência após procedimentos invasivos, como o cateterismo cardíaco. Por isso, reconhecer seus sinais e buscar avaliação precoce faz toda a diferença para o diagnóstico e o tratamento adequados.
Onde o pseudoaneurisma pode ocorrer
O pseudoaneurisma pode se formar em qualquer artéria do corpo, mas sua localização mais comum é a artéria femoral, na região da virilha. Isso ocorre porque a artéria femoral é amplamente utilizada como via de acesso para procedimentos endovasculares e exames diagnósticos invasivos.
A incidência do pseudoaneurisma femoral varia de 0,6% a 6% após procedimentos realizados por acesso femoral, sendo considerada a complicação mais frequente relacionada a essa via de acesso.
Além da região femoral, o pseudoaneurisma pode afetar outras artérias:
- Pseudoaneurisma femoral: é o tipo mais comum, localizado na região da virilha e frequentemente associado a procedimentos realizados por acesso femoral;
- Pseudoaneurisma da aorta: acomete a principal artéria do organismo e exige avaliação especializada imediata devido ao risco de complicações;
- Pseudoaneurisma visceral: condição rara que afeta artérias responsáveis pela irrigação de órgãos como fígado, baço e intestinos;
- Pseudoaneurisma do ventrículo esquerdo: forma-se no coração e pode surgir como complicação rara após um infarto agudo do miocárdio.
O que provoca um pseudoaneurisma?
A causa mais frequente do pseudoaneurisma é uma lesão na parede arterial, seja por trauma físico ou por intervenção médica. Entre os principais fatores desencadeantes estão:
- Procedimentos invasivos: cateterismos, punções arteriais e cirurgias vasculares estão entre as causas mais comuns. O risco é maior após procedimentos endovasculares que utilizam materiais de maior calibre e em pacientes que necessitam de anticoagulação contínua;
- Trauma: acidentes e lesões penetrantes que atingem um vaso sanguíneo podem provocar lesões na parede arterial e favorecer a formação do pseudoaneurisma;
- Infecções vasculares: alguns agentes infecciosos podem enfraquecer a estrutura da parede do vaso, aumentando o risco de desenvolvimento da condição;
- Doenças vasculares: condições como a aterosclerose comprometem a integridade das artérias e favorecem o surgimento de pseudoaneurismas.
Além disso, o uso de medicamentos anticoagulantes e antiagregantes plaquetários representa um fator de risco relevante, pois dificulta a coagulação natural no local da lesão.
Quais são os sintomas de um pseudoaneurisma?
Os sintomas variam de acordo com o tamanho e a localização do pseudoaneurisma. Lesões menores podem permanecer assintomáticas e serem identificadas apenas durante exames realizados por outros motivos.
Quando há manifestações clínicas, os sinais e sintomas podem incluir:
- Dor aguda ou latejante na região afetada;
- Massa pulsátil palpável, ou seja, um nódulo que pulsa em sincronia com os batimentos cardíacos;
- Inchaço localizado e sensação de pressão na área acometida;
- Sinais inflamatórios, como vermelhidão, aumento da temperatura local e endurecimento da região;
- Alterações na pele, incluindo mudanças de coloração ou textura;
- Sangramento intenso em casos de ruptura, caracterizando uma emergência vascular.
Pseudoaneurismas localizados no tórax ou no abdômen também podem comprimir estruturas vizinhas, provocando sintomas como dificuldade respiratória, tosse persistente ou dor abdominal. Nessas situações, o diagnóstico costuma ser mais complexo e exige exames de imagem específicos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com a avaliação clínica. Durante a consulta, o médico analisa os sintomas apresentados, o histórico do paciente — especialmente a realização recente de procedimentos vasculares — e os achados do exame físico.
O principal exame utilizado é o ultrassom com Doppler vascular, que permite avaliar o fluxo sanguíneo e identificar a presença da bolsa aneurismática, bem como sua comunicação com a artéria. Trata-se de um exame não invasivo, seguro e capaz de confirmar o diagnóstico na maioria dos casos.
Quando há suspeita de pseudoaneurisma da aorta ou do ventrículo esquerdo, podem ser necessários exames complementares, como tomografia computadorizada, ecocardiograma ou radiografia de tórax. Esses métodos permitem avaliar com maior precisão a localização, a extensão da lesão e possíveis complicações associadas.
É preciso tratar o pseudoaneurisma?
A definição do tratamento depende do tamanho do pseudoaneurisma, de sua localização e dos sintomas apresentados pelo paciente.
Pseudoaneurismas pequenos e assintomáticos podem ser acompanhados clinicamente, com monitoramento periódico por exames de imagem para verificar sua evolução. No entanto, lesões maiores ou sintomáticas geralmente exigem intervenção.
As principais opções de tratamento incluem:
- Compressão guiada por ultrassom: técnica não invasiva que aplica pressão controlada sobre o pseudoaneurisma para promover a coagulação do sangue dentro da bolsa. Em alguns casos, sua eficácia pode ser limitada;
- Injeção de trombina: procedimento minimamente invasivo em que uma substância coagulante é aplicada diretamente no interior do pseudoaneurisma, promovendo seu fechamento;
- Cirurgia vascular: indicada quando os tratamentos minimamente invasivos não são eficazes ou quando há risco elevado de complicações, como ruptura ou compressão de estruturas adjacentes.
A escolha da melhor abordagem deve ser feita pelo cirurgião vascular, considerando as características do pseudoaneurisma, o estado clínico do paciente e os riscos e benefícios de cada opção terapêutica.
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